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DÚVIDAS DO MAR, DA TERRA E DO CÉU...

Kleber Halfeld

 

"ACASO" OU NÃO, A DESCOBERTA DO BRASIL?

Ao conceituarmos História como "ciência dos fatos", recordando o pensamento de Bacon, sabemos, paralelamente, que, em decorrência de fatores diversos, nem sempre esses fatos são transmitidos à posteridade com a devida exatidão ou a exigida verdade, criando-se, desta forma, através dos tempos, angustiantes dúvidas.

A própria história do descobrimento do Brasil é exemplo convincente desta assertiva.

O historiador Hélio Vianna esclarece que "em 1852, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Joaquim Norberto de Sousa e Silva lançou a hipótese de que o descobrimento cabralino não fora devido a um mero acaso, mas conseqüência de um prévio conhecimento da existência do Brasil, por parte dos portugueses. Baseava-se, principalmente, em obscuro trecho da carta que de Porto Seguro escreveu o bacharel Mestre João ao rei D. Manuel I".

E acrescenta:

"Contestado, depois, por Antônio Gonçalves Dias, sustentou este a tese do acaso, baseando-se na carta em que D. Manuel comunicou o descobrimento, que declarou” milagrosamente feito", aos reis de Espanha." ("Hlstórla do Brasil" — Edições Melhoramentos.(Grifos nossos.)

Já Vicente Tapajós escreve:

"Ainda hoje, muitas dúvidas e questões existem a respeito do descobrimento do Brasil. De grande complexidade, por exemplo, é a questão da intencionalidade ou não do descobrimento, pois se tudo na viagem nos leva a acreditar no acaso do encontro, não há, entretanto, documento irresistível para dogmatizar a asserção." ("História do Brasil Companhia Editora Nacional. Grifos nossos.)

Muitos são os fatos históricos nos quais identificamos a presença de desencontros de opiniões, seja da parte dos historiadores, seja do próprio público, que, frente a tais divergências, passa a movimentar-se num labirinto de indagações.

Consoante esquema estabelecido pelo Mundo Maior, os Espíritos, acompanhando os fatos através dos milênios, não têm autorização para constantemente dar as reais versões dos acontecimentos, porquanto, se assim fosse, excluída estaria a necessidade da pesquisa humana, surgindo, é quase certo, uma acomodação dos encarnados frente a este ou àquele fenômeno histórico; todavia, pode ocorrer que em momentos julgados oportunos, através deste ou daquele Mensageiro, a Espiritualidade levante o véu de algumas ocorrências do passado, dissipando, desta forma, dúvidas nelas incrustadas.

No caso específico do descobrimento do Brasil, sem nos valermos de outros historiadores, mas limitados aos professores citados, podemos enumerar com eles as hipóteses seguintes:

1º) o descobrimento não foi obra do "acaso", considerando-se que D. Manuel I já tinha conhecimento da existência do Brasil;

2º) houve "acaso", porquanto o próprio rei de Portugal referia-se ao fato (do descobrimento) "milagrosamente feito";

3º) se tudo leva a crer ter sido obra do "acaso", não há documentação que o comprove...

(Apreciamos usar o termo "acasos aspeado, porquanto sabemos ter tudo uma planificação divina, nada existindo "à deriva".)

Toda dúvida, entretanto, é desfeita quando um Espírito (Humberto de Campos) faz uma revelação, detendo-se nos dons mediúnicos de Cabral:

"No oceano largo, o capitão-mor (Cabral) considera a possibilidade de levar a sua bandeira à terra desconhecida do hemisfério sul. O seu desejo cria a necessária ambientação ao grande plano do mundo invisível. Henrique de Sagres aproveita esta Maravilhosa possibilidade. Suas falanges de navegadores do Infinito se desdobram nas caravelas embandeiradas e alegres. Aproveitam-se todos os ascendentes mediúnicos. As noites de Cabral são povoadas de sonhos sobrenaturais e, insensivelmente, as caravelas inquietas cedem ao impulso de uma orientação imperceptível." ("Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho", cap. II, Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Grifos nossos.)

 

TERIA MARILYN MONROE SE SUICIDADO?

No dia 1º de julho de 1962 a imprensa mundial noticiava a desencarnação de um dos mais famosos ídolos do cinema americano—Marilyn Monroe.

Nascida em Los Angeles em 1926, Norma Jean Mortenson—o nome verdadeiro da atriz —, apesar de fulgurante vida social, era, de acordo com seus biógrafos, uma estrela amargurada. Depois de uma infância infeliz, com seus pais adotivos, e de um casamento prematuro aos 16 anos; com o aviador James Dougherty, de quem se divorciou em 1946, foi modelo de capa de várias revistas, usando o sobrenome Baker, de sua mãe. Estreou no cinema em 1949 e, em pouco tempo, ficou famosa com o nome de Marilyn Monroe, sendo considerada até o fim de sua vida "Símbolo de Sensualidade". Dos filmes em que participou, entre outros, podemos mencionar: "O Rio das Almas Perdidas", "O Pecado Mora ao Lado", "O Príncipe e a Corista" e "0s Desajustados".

Após sua desencarnação uma dúvida foi levantada não somente pelos críticos de cinema como por seus admiradores: o excesso de drogas que causou sua morte teria sido acidental ou não?

A polêmica tomou conta de todos os jornais e revistas do mundo, mais interessados os editores na venda de seus periódicos do que propriamente em saber de que teria morrido a artista.

Uma das mais insistentes hipóteses à época era a de que se suicidara. E tão repetidor foram os comentários nesse sentido que afinal a maioria se convenceu do tresloucado gesto, embora houvesse quem preferisse aguardar o desfecho do processo levantado pela justiça americana, para tirar suas próprias conclusões.

Desfazendo as dúvidas em torno do rumoroso caso, Irmão X, na obra "Estante da Vida" (A obra foi publicada pela Federação Espírlta Brasileira em 1969), no capítulo "Encontro em Hollywood", publicou a "entrevista" que Marilyn Monroe Ihe concedeu no Memoriam Park Cemetery.

Depois da apresentação que fora feita por um amigo—Clinton —e de fazer alusão às respostas dadas por Miss Monroe sobre assuntos variados, lemos este trecho:

"—Miss Monroe—considerei, encantado, em Ihe ouvindo os conceitos—, devo asseverar-lhe, não sem profunda estima por sua pessoal que o suicídio não lhe alterou a lucidez.

— A tese do suicídio não é verdadeira como foi comentada — acentuou ela sorrindo. — os vivos falam acerca dos mortos o que lhes vem à cabeça sem que os mortos Ihes possam dar a resposta devida, ignorando que eles mesmos, os vivos, se encontrarão, mais tarde, diante desse mesmo problema... A desencarnação me alcançou através de tremendo processo obsessivo. Em verdade, na época, me achava sob profunda depressão. Desde menina, sofri altos e baixos, em matéria de sentimento, por não saber governar a minha liberdade... Depois de noites horríveis, nas quais me sentia desvairar, por falta de orientação e de fé, ingeri, quase semi-inconsciente, os elementos mortíferos que me expulsaram do corpo, na suposição de que tomava uma simples dose de pílulas mensageiras do sono. . . " (Grifarmos.)

 

QUEM TRAIU TIRADENTES ?

De modo freqüente, no estudo dos grandes acontecimentos históricos, deparamo-nos com a figura do delator, não tendo, aliás, o próprio Cristianismo nascente se eximido dessa circunstância.

Detenhamo-nos no caso particular da Conjuração mineira, um dos movimentos políticos considerados precursores da proclamação da independência de nosso Pais, relativamente a Portugal, e de forma imprópria denominada "Inconfidência". Aliás, esta observação é feita pelo historiador Hélio Vianna, de acordo com Marcelo Caetano: "Inconfidentes eram, à época, os acusados de traição ao rei, de falta de fidelidade ao soberano, criminosos de lesa-majestade, por este motivo julgados por uma alçada especial, denominada juízo de inconfidência. Se os historiadores assim não consideram os conjurados mineiros de l789, não devem ser eles classificados como  'inconfidentes" (Revista "Brasília", volume III—Coimbra, 1946, páginas 459-467. Trabalho intitulado “Donde vem o nome de Inconfidência Mineira?").

0 estudo desse movimento do século XVIII ,no capítulo das denúncias, apresenta-nos uma singularidade curiosa. Alguns historiadores centralizam a delação na figura de Joaquim Silvério dos Reis, Coronel de um dos regimentos de cavalaria auxiliar da Capitania, português,  ex-arrematante do contrato das entradas e, como tal, devedor, à Fazenda Real Portuguesa, de 170 contos de réis, elevada quantia para aquele tempo. Outros, porém, como os professores Hélio Vianna e Vicente Tapajós, apresentam mais duas figuras, além da citada: o português Basílio de Brito olheiro do Lago e Inácio Correia Pamplona, ilhéu dos Açores (obras citadas em 1 e 2). Esta afirmativa é confirmada—entre muitos outros—, pelo Prof. Julierme de Abreu e Castro, em sua "História do Brasil para Estudos Sociais" (Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas), quando escreve: "Tudo pronto para o movimento revolucionário, Tiradentes parte para o Rio de Janeiro, onde iria comprar armas e fazer mais adeptos. Em Vila Rica, porém, três portugueses, entre os quais Joaquim Silvério dos Reis, que se fazia passar também por membro do grupo, traíram os conjurados, denunciando o plano ao Visconde de Barbacena."

Quase 150 anos depois da conjuração que não pôde chegar a uma fase de realização, no dia exato em que o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, alcunhado Tiradentes, foi executado no Largo da Lampadosa (demonstrando nos últimos momentos coragem e grandeza moral, nas palavras de Frei Raimundo de Penaforte, o sacerdote que o confessou pouco antes de subir ao cadafalso) (“Últimos Momentos dos Inconfidentes”), Humberto de Campo-Espirito), no dia 21 de abril de 1937, escrevendo uma crônica sobre o movimento que, embora malogrado, deixava à posteridade o reflexo de uma corrente de idéias, fato que estimularia outros movimentos em prol da Independência, relata que, ao perguntar-lhe sobre a defecção de alguns companheiros, teve este esclarecimento do Alferes:

"— Hoje, de modo algum desejaria avivar minhas amargas lembranças... Aliás não foi apenas Silvério quem nos denunciou perante o Visconde de Barbacena; muitos outros fizeram o mesmo, chegando um deles a se disfarçar como um fantasma, dentro das noites de Vila Rica, avisando quanto a resolução do governo da Província, antes que ela fosse tomada publicamente, com o fim de salvaguardar as posições sociais de amigos do Visconde, que haviam simpatizado com a nossa causa. (Crônicas de Além Túmulo, F.C.Xavier, ed. FEB)

A expressão "muitos outros", por nós grifada, revela-nos ser a "quantidade de delatores maior do que se possa avaliar. A própria entidade espiritual (do antigo Alferes) como que se sentiu em dificuldade para o revelar...

Fonte: REFORMADOR, Abril, 1984.

 

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